quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Amigos, na alegria a quantidade, na tristeza qualidade

Era 1935 quando conheci Élay, uma mulher demasiadamente alta, de ótima estatura para sociedade da época, tinha um destaque em seu charme e beleza, por onde passava arrancava elogios e desejos, não era de sorrir muito, se mostrava ser uma mulher de um relacionamento apenas e dedicada, nosso contato foram de breves palavras, que a principio se mostrou muito simpática , estava com pressa, pois dividia a charrete de luxo com sua irmã Delux.
Delux por sua vez, uma pessoa extremamente oposta as qualidades citadas de Élay, o que mais chamou minha atenção era como pessoas entregues pela cegonha no mesmo endereço fossem tão diferentes nas formas de conduzir a vida.
Élay, após alguns anos que tinha me conhecido, já não lembrava que eu existia, em um momento de dificuldade e já não mais casada, Delux me indicou como um bom conselheiro, como uma pessoa que poderia dizer as palavras certas na hora certa, porém não me qualifico nem acredito que tenha mesmo a capacidade de ser assim, atendi as cartas enviadas por Élay, que me fizeram entender que não se julga um livro pela a capa, descobri várias qualidades nela quando recebi a primeira carta posso até descrever algumas das qualidades que identifiquei assim que fiz a primeira leitura: TOCHA, LUZ, LUMINOSA, Muito ligada em dinheiro e posição, sua personalidade se sobressai quando você está diante de um desafio. "Vem quem tem " seria um bom lema na sua vida. Dificilmente passa dias preocupada com problemas, pois é do tipo que encontra soluções para os problemas em segundos. Tem uma imagem de pessoa meio solitária, e que não gosta de brincadeiras. as vezes um pouco distante e severa. Deve tomar cuidado para toda esta eficiência não estar escondendo um pequena insegurança.
Élay aos poucos foi me ensinando com seus problemas, anos se passaram e as cartas eram diárias, fortunas era gasta com selos e tinta utilizada com pena, mas cada carta que chegava era uma mulher amadurecendo aprendendo com os próprios erros e os acertos, uma mulher que era erroneamente julgada por sua beleza e independência, mostrou ao longo desses anos ser uma menina delicada e necessitada de cuidados, carente, mas forte, medrosa mas autentica, teimosa, mas guerreira, pura mas ousada, inteligente mas desconfiada, que não dava valor a tão deslumbrante beleza que lhe era atribuída, só queria que as pessoa notassem o que ela tinha de melhor que era seu caráter.
Élay vive até hoje em Mares Escuros, cidade do sul do país, feliz e realizada ela ajuda as pessoas que passaram pelos mesmos problemas que ela, a superarem as dificuldades e seguir em frente, assim ela o fez ao longo de sua vida, quem conheceu Élay nunca esqueceu dela, e com certeza aprendeu alguma coisa que fosse útil para sua vida.

Ogoid Senun
Escritor da Cidade

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Cinderela no Brasil

Já fui formosa, já fui donzela,
monumento de perfeição que revela
Charme de suprema doçura, a mais bela,
brilho de estrela, vulgo Cinderela
Já tiveram inveja da flor da minha idade,
o mel da formosura, que adoçava minha imagem
Por isso já abusaram da minha boa vontade,
respeito, bondade, virtude e coragem
Tive a infelicidade de nunca ter pai,
não sei como são, mas sei que muitos deles traem.
Esse é um dos poderes que eles tem e se apropriam,
abandonam sua cria e vão fazer outra família
Sacrilégio, já tive tédio, já sofri assédio,
será que vai ser sempre assim ,
não tem remédio?
Mas eu nasci menina com sonhos, fantasias,
um galanteador,príncipe encantado é o que eu queria
Debutante, vestido deslumbrante de cetim,
carruagem, paisagem, perfumada de alecrim
Festa no jardim, champanhe,Tim-tim,
e a valsa sem pausa, só eu e o príncipe enfim
Quem nunca tentou ser feliz, e se entregou,
assim como eu fiz
Sem medo, sem segredo.
Eu te amo meu amor, juntos pelo mundo,
aconteça o que for
Felizes para sempre até a chegada da cegonha,
fui abandonada com barriga que vergonha
Mais uma mãe usada,separada é meu fardo,
carreira mãe solteira, mais um filho bastardo
É quando um sonho de princesa vai chegando ao fim
As vezes nossa alma fica num estado,
fica pequena e arde, coração apertado

Toda princesa um dia, vai se tornar rainha, mas
O tempo passa, o sonho acaba, só não pode olhar pra trás...
Que mundo hein, em um segundo,
me confundo com a dama e o vagabundo
é sempre assim o fim do quadro
É quando o sapato vai ficando apertado,
e o vestido pega dos lados, é o fim do sonho encantado
De princesa pra rainha, de beleza adivinha,
se não é a experiência e a inteligência que fica
Sabedoria rica, por favor me explica,
o que o ataque da corrosão do tempo não danifica
Aparentemente a mente nem se cogita,
mas o corpo fica gordo, em troca da filha bonita
Nessa altura a vida fica dura e muito mais sofrida
e isso multiplica quando não tem pai pras suas filhas
Que educa na luta mesmo com jornada dupla,
na raça abraça tanta desgraça que acostuma
Solteiras, separadas, traídas, viúvas,
mães que derramam suor como a chuva

Toda princesa um dia, vai se tornar rainha, mas
O tempo passa, o sonho acaba, só não pode olhar pra trás...
Eu já vi, diversas mulheres da vida sofrida
jogada no canto, sozinha com sua filha recém nascida
envolvida num manto
E o pranto, resultado de uma decepção,
e a alma partida, pela separação grita por uma solução
O que será, sem profissão, e ainda sem pensão de quem sumiu
ninguém viu, acho que fugiu,
deixou sua família com frio
Mas não tremeu, agasalhou o seu bebe, foi a luta até vencer,
É quando o sonho de princesa vai chegando ao fim
Quem nunca ouviu algo assim, diz pra mim,
a história de uma moça que vivia assim

Toda princesa um dia, vai se tornar rainha, mas
O tempo passa, o sonho acaba, só não pode olhar pra trás...
Você vai vencer, se Deus quiser
Esse é o pensamento de uma mulher (de uma mulher)


Autor: Ao Cubo (Grupo de Rap)