domingo, 30 de outubro de 2011

Liberdade

Quando acordei naquele domingo eu sabia que tudo ia mudar

Todos os planetas giram e o sol está no mesmo lugar

Eu acreditei que tudo o que fizesse seria importante pra alguém

Soube o que tinha que fazer, sempre doei sangue e acho que fiz bem


Anos de minha vida estive lá, anos de vida vesti a camisa, sempre dedicado

Desde o nome, o detalhe do chão, o som, a logo marca era bem explicado

Entreguei minha vida a mudança, ao conhecimento, vi o mundo pós Religião

Foi mágico, sinto-me amadurecido, visionário, investido, sai da caixa, conheci irmãos


Acreditaram em mim, me deixaram viver, ensinaram- me a caminhar sozinho, com louvor

Virei um questionador, deixei de ser menino e das coisas de menino, aprendi mais sobre amor

Tudo que parece ser pra sempre muda, quando o curso da vida aponta pra outras visões

Quem disse que seria pra sempre se o pra sempre nem sempre é o que mantém relações


Vínculos, amizade, vão sempre existir, sei que a conseqüência de bons frutos vão brotar

Vejo diferença, vejo grandeza, vejo crescimento e muita objetividade, não vão me condenar

Com cabeça erguida volto, com sensação de missão cumprida vou continuar a trabalhar

Queria não ser julgado, queria não ser aquele que nada aprendeu, só quero voltar


Sei que existem pró, sei também que existem contra, mas se estar com Deus é o correto

Não vejo motivos pra uma desaprovação, só quero ser livre e tentar fazer o certo

Fui um grão de areia, um de mostarda, nessa obra que ainda está em construção, um munido

Espero que entendam que angústia de ter perdido, não supera a alegria de ter um dia possuído.


Diogo Hamlet

domingo, 9 de outubro de 2011

Sempre foi Ela

Lá de longe com suas malas prontas um sorriso ofuscante

Movimentava centenas de olhares, ela era brilhante

Quase noiva, muito feliz, boa filha, já mulher feita

Era difícil reagir, encontrar a chance perfeita


Amigos, éramos mais que isso era uma grande ilusão

Sequência de minutos sempre nos falávamos, sem moderação

Na frente de nossos progenitores ouvi aquela canção

Ela cantava com sorriso sarcástico “A Lenda dessa Paixão”


O tempo tocava o sino dizendo que já era hora

E o suposto homem de sua vida? Foi embora

Nada fácil, complicado sempre, tentei mais de uma vez

Condicionado a amá-la eternamente foi assim que a vida me fez


Prestes a completar o décimo primeiro ano de muito amor

Na tentativa de cultivar aquele sorriso, oculto em mim qualquer dor

Nunca existiu nada numerável e tão forte que me alimente

Poder enxergar dentro dos seus olhos e dizer, te amo eternamente


Diogo Hamlet

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

O Grande Sonho

Os alicerces da vida parecem desabar

Senti que não tenho forças pra fazer o que gosto

Sonhos trocados pelo o conforto que tenho que dar

A faca rasgando por dentro fez as lágrimas me derrubar


Juro que achava fazer o certo, senti segurança

Os negros me estendiam a mão me dando confiança

Pé no chão, olhar adiante, tenho que começar pra chegar

Vencer não é imediato, leva tempo pra planejar


Mesa redonda, fim de slide, bem na minha frente

Só acreditava naquela luz que vinha de seus dentes

Ali tinha visão, voava em suas idéias, sempre pé no chão

Afundado em pensamentos, eu estava no porão


A voz dos filhos de palmares, eu já não entendia

Alforria e liberdade na música minha alma aprecia

Voltei a pensar no sonho, que outrora me animava

Estático sem ação eu novamente me encontrava


Diogo Hamlet

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Monte Sinai

Trabalhar é uma tarefa, que só faz quem quer

O capital é a recompensa de um esforço qualquer

Não é mérito se vangloriar por ganhar um pouco mais

Trabalhando com dignidade pouco ou muito tanto faz


Trabalhar dignifica o homem, faz do ser, o melhor

Gosto muito de correr atrás, pra não viver na pior

Acordar com seus compromissos pagos, é um orgulho

Não poder fazer nada pra quitá-los, é fazer barulho


Grita, reivindica, fala com quem pode resolver

Não tenha medo de lutar, trabalhou tem que receber

Que seja greve, megafone, trio elétrico, manifestação

Nessa luta eu quero guerra, nesta guerra ser campeão


Dormir sem preocupações, medo ou nostalgia

Conseguir chegar em casa, sair da cardiologia

Dessa fumaça negra, não agüento nenhum trago

Me ajude, Oh Baiano, só quero meu salário pago


Diogo Hamlet