domingo, 8 de junho de 2014

Dia de Trabalho

[Celular Desperta] Exaustão, pique, desanimo, adestramento cognitivo, o sol raiou e se inicia um sonoro Bom Dia! A equipe tá pronta? Hoje você vai sair com a equipe completa. Acelera aí gente, a cidade está “bombando”, Lest’s Go. A saída, a largada, a correria, o tempo é curto, não há como prever, não quero definições exageradas, falar, dizer e me explicar como se eu fosse a própria resposta. Não vou perguntar apenas para aparecer antes dos outros, que também perguntam, é a busca da exclusividade do ponto que passou despercebido, fiz o meu, faço o meu e vamos embora, o tempo cria pontes que precisam ser respeitadas. A disputa começa do alto, quase nunca percebida por baixo. É balbuciar como se conhecesse. É estar da forma como todos já estiveram, na mesma posição. Prefiro o silêncio ao excesso. Eu quero ouvir. Quero muito te ouvir. Exatamente no momento em que o plano começa a virar sequencia eu observo a passagem, do texto, do tempo, da vida. 

E já que ser Jornalista, Cinegrafista, Auxiliar, me deixa ver você atuar. O cabelo, a forma como sorri. A bochecha enrugada, as mãos que não se aguentam esticadas. Municiada de áudio, apurada com a certeza do que faz, imparcial, experiente, admirável. Me faz calar. Conta a sua história, sem pressa, pode vir, é a transição da informação. Mostra as fotos, aquelas que ninguém vê, nem você. Diga sobre alguém. Compra um café pra gente. Eu quero ver se você prefere o forte ou pingado. Durante a preparação da bebida, eu vou torcer para o seu telefone tocar. Quero saber como você fala com a sua família. Se tem carinho pela filha ou sente falta do cachorro. Prepare as torradas, estou curioso para ver se você coloca queijo em cima delas, é admiração que começa de dentro. Não deixe-me distrair pela TV, pelos clichês e por aquilo que eu não quero ser. Me faça ser mais, corrija-me se eu te ofender. Eu não vou te interromper ou tentar entender o que é autoexplicativo. Prefiro perder a discussão a falar para te conduzir. Permita-me sentir à vontade para ficar. E para perguntar quando suas explicações exclamarem por uma voz. Se você é o entrevistado(a), eu serei apenas eu. Da melhor forma que consigo ser. Não sou Jornalista, não sou Cinegrafista, não sou Auxiliar, sou expectador, TELExpectador do dia a dia da informação, da vida sem direção, do momento de estar no AR. [Chama uma imagem] já dizia o TP... Fim do expediente, Fim do VT.

Diogo Hamlet

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